O QUE ALGUNS BRASILEIROS

PENSAM SOBRE A PSICANÁLISE:

 

VENDEDOR, 38 anos - "...não tenho idéia sobre psicanálise, mas tenho sobre a vida: é bacana, alegre, dura, triste, uma mudança constante. Quando ela é dura a psicanálise pode ajudar no sentido de que ela pode levantar você, analista ou não, mas alguém que tenha um argumento prá te levantar, te dar uma motivação a mais".

 

UNIVERSITÁRIO, 18 anos - "...é alguma coisa que é ligada a espiritismo, não?"

 

ENGENHEIRO, 52 anos - "...é uma maneira de analisar as pessoas, controlar as pessoas. Eu não tenho a mínima idéia".

 

MILITAR, 43 anos - "...é o estudo da atividade psíquica. Sinceramente, eu não indicaria ninguém e não gosto do assunto".

 

RECEPCIONISTA, 19 anos - "...é uma análise de algum problema que determinada pessoa está passando. É um tratamento muito caro. As pessoas que têm mais problemas na vida, geralmente são as que têm menos dinheiro e então não tem acesso ao tratamento. Acho que as pessoas têm muito mêdo de encarar os problemas, mas além disso tem o problema do dinheiro.

 

ESTUDANTE, 16 anos - "...é uma ajuda para o auto-conhecimento, para a pessoa saber mais de si, saber lidar com os conflitos que ela mesma tem com ela. Ë uma ajuda para você saber viver melhor com as pessoas, se sentir melhor. A maioria das pessoas são ignorantes e pensam que a psicanálise é excessivamente cara. Se você procurar encontrará locais onde se faz psicanálise. Não é extremamente fácil, nem difícil. Serve para qualquer pessoa, com problemas ou não".

 

PROGRAMADOR DE COMPUTADOR, 35 anos - "...é análise da mente? O psiquiatra é quem faz? Não faço idéia...".

 

GAROTO DE PROGRAMA, 25 anos - "...é tratamento para auxiliar as pessoas com dificuldades. Não é acessível. É luxo. É pouco divulgada".

 

CABELEIREIRA, 38 anos - "...já ouvi falar, mas não sei o que é. Se tivesse que achar um psicanalista eu iria a um consultório médico, clínica,... Elê poderia me ajudar em algum problema psicológico.".

 

ESTAGIÁRIO DE MARKETING, 28 anos - "...é o estudo da mente. Sua funcionalidade depende da situação: tanto da pessoa quanto do analista, pois é uma ciência".

 

ECONOMISTA, 48 anos - "...é a análise da mente. É acessível, já fiz e me ajudou a crescer. Descobri com a análise que posso mudar, que estou aberto à mudanças, à encarar a vida de frente. O trabalho de um analista é fazer com que você enxergue as coisas como realmente elas são. Acessível ela é, mas o povo não entende muito esta questão da análise. Toda pessoa analisada é tida como maluca, "Pinel", mas estas pessoas que julgam, ou pré-julgam, são as que mais necessitam..."

 

ADVOGADO, 44 anos - "...psicanálise? Olha, realmente é totalmente fora da área de Direito. Serve para analisar o subconsciente... Nunca tive necessidade, mas há pessoas que precisam deste apoio".

 

AUXILIAR DE ESCRITÓRIO, 19 anos - "...nada sei sobre isso".

 

INDUSTRIÁRIO, 46 anos - "...deve ajudar em algo, pois já que é aplicada... Não é acessível devido ao custo e também porque as pessoas não acreditam e não usam este método para poder sair de alguma crise, depressão... Em resumo, o custo e a credibilidade na coisa é muito difícil, que consequentemente atrapalha o desenvolvimento da psicanálise".

 

NUTRICIONISTA, 25 anos - "...psicanálise para mim é uma forma de entender pessoas complicadas, sem definição de vida. Ajuda a se entender a si própria., diferente da psicologia que é superficial; não é acessível porque é muito mal divulgada".

 

JORNALEIRA, 38 ANOS - "...eu sempre vejo a psicanálise como uma forma de desabafo, que as vezes não se consegue nem com uma amiga, nem com a mãe da gente. Acho que se todos os brasileiros consultassem um psicanalista seria tudo tão diferente! Nós nem imaginamos o quanto seria bom. Com o cotidiano que a gente tem, com a vida que a gente leva, seria bom que isso acontecesse, no mínimo de seis em seis meses".

 

Um PORTEIRO, 37 anos, um SEGURANÇA, 34 anos, e um PINTOR DE PAREDE, 56 anos :

 

SEGURANÇA: "...psicanálise? Vem de psicólogo: estudo de uma pessoa que está com problemas, entendeu? Problemas que, derrepentemente, pode ser familiar, particular, uma doença que a pessoa não quer passar para terceiros e com o psicólogo, então, acha uma solução prá resolver".

PORTEIRO: "...o pobre não procura psicanálise devido ao seu poder aquisitivo".

SEGURANÇA: "...grau de estudo também importa. Tem pessoas que não têm estudo prá compreender. Têm pessoas que você fala prá ela: faça um soro caseiro! Ela então coloca meio copo de sal, dois de água e pronto. Bebe aquela água salgada e pensa que é soro. O estudo também meche, você entende? A pessoa mal informada faz coisas erradas. Acho que se a psicanálise chegar num local de baixa renda, reunir numa Associação de Moradores e fazer uma palestra eu garanto que algumas pessoas vão entender e passar prá outras e, então, uma divulgação. A psicanálise vai reunir aqueles detalhes que vai se encaixar naquela sociedade ali. Isso vai influenciar para a pessoa se cuidar melhor. A pessoa de uma classe baixa precisa de atenção. O medo de entrar numa favela para passar essa informação também conta. A polícia não vai te dar esse apoio. Já o rico, tem o carro, vai até um edifício, sala número "tal" e já está no consultório".

PINTOR DE PAREDE - "...acredito que psicanálise é uma preparação na mente da pessoa. O brasileiro não está muito preparado, mas a psicanálise serve prá elê. Os poucos que procuram acreditam na psicanálise. Outros, não procuram porque não querem resolver o problema e sim continuar com o problema dêle".

SEGURANÇA - "...é o medo!"

PINTOR DE PAREDE - "...não! Elê têm um problema e acha que não é problema".

SEGURANÇA - "...você acha que a pessoa cobra essa informação à você de graça?"

PINTOR DE PAREDE - "...o problema não está aí. Você pode ir a um psicanalista, fazer uma ou duas sessões!

SEGURANÇA - "...posso! Porque eu sei me vestir, sei me expressar ..."

PINTOR DE PAREDE - "Pode porque não custa ouro".

SEGURANÇA - "...o quê que custa prá você?"

PINTOR DE PAREDE - "...sei que o meu salário dá prá pagar. Você queria que todos fossem ricos ou todos pobres?"

PORTEIRO - "Tem órgãos dos direitos humanos que têm Advogados de graça, psicólogos de graça. O pessoal é que não procura... O pessoal tá muito acomodado".

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